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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Olivença

Antiga vila portuguesa do Alentejo, a sua origem remonta ao século XIII, aquando da reconquista cristã pelos Templários. Passou definitivamente a território português em 1297, altura em que foi assinado o Tratado de Alcanises, por D. Dinis e Fernando IV de Castela, que definia as pertenças territoriais de cada reino. Foi na época de D. Dinis que foi ordenada a construção de uma fortificação na vila, reforçada posteriormente através, por exemplo, da construção de uma torre de menagem no reinado de D. João II, no século X, e da ponte da Ajuda (também conhecida por ponte da N. Sra. da Ajuda ou de Olivença) sobre o rio Guadiana, ordenada por D. Manuel. Após a ocupação do trono português pela dinastia filipina, começaram as disputas pela posse de Olivença entre Portugal e Espanha. No período da restauração, em 1640, e nas guerras que se seguiram, Olivença foi ocupada por um duque espanhol, sendo devolvida a Portugal na sequência da celebração de um tratado de paz, em 1668, no qual Espanha reconhecia a independência de Portugal. Olivença voltou a sofrer a ocupação espanhola em 1801, durante a Guerra das Laranjas. Como, na luta contra a Inglaterra, Portugal recusou juntar-se à França, que tinha Espanha como aliada, estes dois países pretenderam conquistar o território português. Após as guerras napoleónicas, realizou-se o Congresso de Viena, onde não foi reconhecido internacionalmente o domínio espanhol de Olivença e foram reforçados os direitos de Portugal. Espanha assinou o tratado de devolução, mas, contudo, nunca cumpriu o acordo até aos dias de hoje.

Padeira de Aljubarrota

Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota, foi uma figura lendária de heroína portuguesa, cujo nome anda associado à vitória dos portugueses, contra as forças castelhanas, na batalha de Aljubarrota (1385). Com a sua pá de padeira, teria morto sete castelhanos que encontrara escondidos num forno.
A lenda
Brites de Almeida teria nascido em
Faro, em 1350, de pais pobres e de condição humilde, donos de uma pequena taberna. A lenda conta que desde pequena, Brites se revelou uma mulher corpulenta, ossuda e feia, de nariz adunco, boca muito rasgada e cabelos crespos. Estaria então talhada para ser uma mulher destemida, valente e, de certo modo, desordeira.
Teria 6 dedos nas mãos, o que teria alegrado os pais, pois julgaram ter em casa uma futura mulher muito trabalhadora. Contudo, isso não teria sucedido, sendo que Brites teria amargurado a vida dos seus progenitores, que faleceriam precocemente. Aos 26 anos ela estaria já órfã, facto que se diz não a ter afligido muito.
Vendeu os parcos haveres que possuía, resolvendo levar uma vida errante, negociando de feira em feira. Muitas são as aventuras que supostamente viveu, da morte de um pretendente no fio da sua própria espada, até à fuga para Espanha a bordo de um batel assaltado por piratas argelinos que a venderam como escrava a um senhor poderoso da Mauritânia.
Acabaria, entre uma lendária vida pouco virtuosa e confusa, por se fixar em
Aljubarrota, onde se tornaria dona de uma padaria e tomaria um rumo mais honesto de vida, casando com um lavrador da zona. Encontrar-se-ia nesta vila quando se deu a batalha entre portugueses e castelhanos. Derrotados os castelhanos, sete deles fugiram do campo da batalha para se albergarem nas redondezas. Encontraram abrigo na casa de Brites, que estava vazia porque Brites teria saido para ajudar nas escaramuças que ocorriam.
Quando Brites voltou, tendo encontrado a porta fechada, logo desconfiou da presença de inimigos e entrou alvoroçada à procura de castelhanos. Teria encontrado os sete homens dentro do seu forno, escondidos. Intimando-os a sair e a renderem-se, e vendo que eles não respondiam pois fingiam dormir ou não entender, bateu-lhes com a sua pá, matando-os. Diz-se também que, depois do sucedido, Brites teria reunido um grupo de mulheres e constituido uma espécie de
milícia que perseguia os inimigos, matando-os sem dó nem piedade.
Os historiadores possuem em linha de conta que Brites de Almeida se trata de uma lenda mas, assim mesmo, é inegável que a história desta padeira se tornou célebre e Brites foi transformada numa personagem lendária portuguesa, uma heroína celebrada pelo povo nas suas canções e histórias tradicionais.