Pesquisar neste blogue

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Poema de António Aleixo inscrito na estátua em sua homenagem em Loulé

Sempre actual, este senhor! ...................................................... ...................................................... *CINCO* *QUADRAS* *DO ANTÓNIO ALEIXO Acho uma moral ruim/ trazer o vulgo enganado:/ mandarem fazer assim/ e eles fazerem assado./ ...................................................... ...................................................... Sou um dos membros malditos/ dessa falsa sociedade/ que, baseada nos mitos,/ pode roubar à vontade./ ...................................................... ...................................................... Esses por quem não te interessas/ produzem quanto consomes:/ vivem das tuas promessas/ ganhando o pão que tu comes./ ...................................................... ...................................................... Não me dêem mais desgostos/ porque sei raciocinar.../ Só os burros estão dispostos/ a sofrer sem protestar!/ ...................................................... ...................................................... Esta mascarada enorme/ com que o mundo nos aldraba,/ dura enquanto o povo dorme,/ quando ele acordar, acaba./ António Aleixo

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Fiquem a saber mais sobre o poeta António Aleixo

Considerado um dos poetas populares algarvios de maior relevo, famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente nos seus versos, António Aleixo também é recordado por ter sido simples, humilde e semi-analfabeto, e ainda assim ter deixado como legado uma obra poética singular no panorama literário português da primeira metade do século XX. Poeta possuidor de uma rara espontaneidade, de um apurado sentido filosófico e notável pela «capacidade de expressão sintética de conceitos com conteúdo de pensamento moral», António Aleixo tinha por motivos de inspiração desde as brincadeiras dirigidas aos amigos até à crítica sofrida das injustiças da vida. É notável em sua poesia a expressão concisa e original de uma "amarga filosofia, aprendida na escola impiedosa da vida". A sua conhecida obra poética é uma parte mínima de um vasto repertório literário. O poeta, que escrevia sempre usando a métrica mais comum na língua portuguesa (heptassílabos, em pequenas composições de quatro versos, conhecidas como "quadras" ou "trovas"), nunca teve a preocupação de registar suas composições. Foi o trabalho de Joaquim de Magalhães, que se dedicou a compilar os versos que eram ditados pelo poeta no intuito de compor o primeiro volume de suas poesias (Quando Começo a Cantar), com o posterior registo do próprio poeta tendo o incentivo daquele mesmo professor, a obra de António Aleixo adquiriu algum trabalho documentado. Antes de Magalhães, contudo, alguns amigos do poeta lançaram folhetos avulsos com quadras por ele compostas, mais no intuito, à época, de angariar algum dinheiro que ajudasse o poeta na sua situação de miséria que com a intenção maior de permanência da obra na forma escrita. Estudiosos de António Aleixo ainda conjugam esforços no sentido de reunir o seu espólio, que ainda se encontra fragmentado por vários pontos do Algarve, algum dele já localizado. Sabe-se também que vários cadernos seus de poesia, foram cremados como meio de defesa contra o vírus infeccioso da doença que o vitimou, sem dúvida, um «sacrifício» impensado, levado a cabo pelo desconhecimento de seus vizinhos. Foi esta uma perda irreparável de um património insubstituível no vasto mundo da literatura portuguesa.